"A sensação é que a gente está sendo feito de trouxa": greve de técnicos-administrativos pode paralisar serviços não essenciais da UFSM

Foto: Beto Albert (Arquivo Diário)

A possibilidade de uma greve dos Técnicos-Administrativos em Educação (TAEs) da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), a partir de 23 de fevereiro, pode provocar impactos diretos no funcionamento de serviços da instituição, como secretarias de cursos, laboratórios, aulas práticas e pró-reitorias. 


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O indicativo foi aprovado em assembleia da categoria e, segundo a coordenação da Associação dos Servidores da Universidade Federal de Santa Maria (Assufsm), ocorre diante do não cumprimento integral do acordo firmado com o governo federal após a paralisação de 2024.

Em entrevista ao programa Bom Dia Cidade, da Rádio CDN, a coordenadora geral da Assufsm, Gabriela Malaquias, afirmou que a decisão de retomar o movimento grevista está ligada à frustração com o descumprimento de compromissos assumidos há mais de um ano e meio.

A gente não está pedindo nada de novo. A gente está parando o trabalho para exigir que o Governo Federal tenha palavra e cumpra o que foi assinado há mais de um ano e meio – declarou.

De acordo com Gabriela, embora parte do acordo, como a reestruturação remuneratória, tenha sido cumprida, pontos considerados centrais para a organização do trabalho seguem pendentes. Entre eles estão a implementação do Reconhecimento de Saberes e Competências (RSC), o reposicionamento de aposentados, a racionalização de cargos, concursos públicos, como para intérpretes de Libras, e a jornada de 30 horas semanais.

– Essas questões da carreira e da estrutura do trabalho do nosso dia a dia foram deixadas de lado. A gente já trabalhou 2024 inteiro, trabalhamos 2025 inteiro, e o governo ainda não cumpriu partes essenciais do contrato – disse.


Paralisação

Caso a greve seja deflagrada, a tendência é de paralisação ampla das atividades administrativas da universidade. Gabriela explicou que apenas os serviços considerados essenciais, como hospital universitário, atendimento à saúde e folha de pagamento, devem funcionar em regime de escalas.

– Secretarias de cursos, atendimento de laboratórios, aulas práticas, pró-reitorias, tudo isso pode parar integralmente – afirmou.

Antes da data prevista para o início da greve, os TAEs já aprovaram uma paralisação para a próxima terça-feira (27), quando está marcada uma reunião entre o governo federal e a Federação de Sindicatos de Trabalhadores Técnico-Administrativos em Educação (Fasubra). No entanto, a expectativa é baixa quanto a mudanças no cenário.

– A princípio, essa reunião não deve alterar em nada o nosso indicativo de greve, porque ainda faltam outros itens do acordo muito importantes a serem cumpridos – avaliou Gabriela.

Segundo a coordenadora, a mobilização tem forte adesão da categoria, reflexo do sentimento de desgaste acumulado desde a última paralisação.

A sensação geral é que a gente está sendo feito de trouxa. Assinamos um termo que não está sendo cumprido. Infelizmente, a solução que a gente encontra é parar novamente – concluiu.


Confira a entrevista

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